Classificação Energética Inmetro 2026: O que muda na etiqueta e no seu bolso

Se você entrou em uma loja de eletrodomésticos recentemente, deve ter notado uma “inflação” de letras na etiqueta colorida da geladeira: é A+, A++ e até A+++. Essa confusão está com os dias contados. 

A partir de janeiro de 2026, entra em vigor a fase mais rigorosa do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) para refrigeradores. A mudança é drástica: a “sopa de letrinhas” acaba, a régua de exigência sobe, e modelos que hoje são considerados econômicos podem ser rebaixados.

Neste artigo, explicamos o que muda na etiqueta, por que as geladeiras podem ficar mais caras inicialmente e como isso afeta a sua conta de luz no longo prazo.



1. O Fim da Era “A+++” e a Nova Régua

Hoje, a tecnologia evoluiu tanto que quase todas as geladeiras do mercado conseguiram o selo “A”. Para diferenciar as melhores, o Inmetro criou as subclasses (A+, A++, A+++). Isso gerou um problema: o consumidor acha que um produto “A” é excelente, quando, na verdade, ele pode ser o menos eficiente da prateleira atual.

A Nova Classificação (A, B, C)

A partir de 2026, a escala será simplificada e endurecida. O objetivo é alinhar o Brasil aos padrões internacionais, como os da União Europeia.

Como fica a conversão estimada:

  • Nova Classe A: Será reservada apenas para a “elite” da eficiência (o que hoje seriam os melhores modelos A+++ com tecnologia Inverter avançada).
  • Nova Classe B: Deve englobar os atuais modelos de alta performance (antigos A++).
  • Nova Classe C ou Inferior: Será o destino dos atuais modelos Classe A padrão ou A+.
Resumo: Uma geladeira que você compra hoje com selo “A” pode ser reclassificada como “C” ou “D” na nova regra. Ela não piorou, a régua é que subiu.

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2. O Impacto no Preço da Geladeira (O “Susto” Inicial)

Aqui reside a maior polêmica da mudança. Para atingir os novos índices da Classe A em 2026, os fabricantes precisam abandonar compressores antigos e adotar massivamente a tecnologia Inverter (motores de velocidade variável) e melhores isolamentos térmicos.

A Previsão da Indústria

Associações de fabricantes chegaram a alertar que essa exigência técnica poderia encarecer os modelos de entrada. A previsão é que o mercado se elitize, dificultando o acesso a geladeiras “populares” de baixo custo, pois a tecnologia necessária para a nova eficiência é mais cara.

A Visão da Eficiência

Por outro lado, defensores da medida argumentam que, embora o preço de etiqueta na loja suba, o “Custo Total de Propriedade” cai. Manter uma geladeira barata e ineficiente ligada na tomada por 10 anos custa muito mais caro do que pagar um pouco mais por uma eficiente no momento da compra.

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3. O Impacto na Sua Conta de Luz (O Ganho Real)

Geladeiras são responsáveis por cerca de 30% da conta de energia de uma residência brasileira média, pois são os únicos aparelhos que ficam ligados 24 horas por dia.

Com a nova regra, a estimativa é que os novos aparelhos sejam significativamente mais econômicos que os disponíveis hoje. A economia gerada pela troca de um motor convencional por um Inverter eficiente é sentida mensalmente.

Simulação de Economia

Imagine uma família que troca uma geladeira antiga (Classe C ou D no padrão antigo) por uma nova Classe A (Padrão 2026):

  • O consumo pode cair de aproximadamente 55 kWh/mês para cerca de 30 kWh/mês.
  • Isso representa uma economia de 25 kWh mensais.
  • Em um ano, a economia na conta de luz pode ultrapassar R$ 300,00 (dependendo da tarifa local).

Em 10 anos de vida útil do aparelho, você economiza milhares de reais — valor que muitas vezes paga a própria diferença de preço da geladeira mais moderna.

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4. O QR Code: A Arma do Consumidor

As novas etiquetas trazem um QR Code obrigatório. Ao escanear esse código com a câmera do celular, você não verá apenas a letra da classificação. Você terá acesso a um banco de dados do Inmetro com informações detalhadas.

O que você pode conferir:

  • O consumo real em kWh/mês declarado.
  • Comparação direta com outros modelos da mesma categoria.
  • Status do registro do produto (se está regularizado).
Dica de Ouro: Ignore a letra por um momento e olhe o número de kWh/mês na etiqueta. Se a Geladeira X consome 35 kWh e a Geladeira Y consome 50 kWh, a X é muito melhor para o seu bolso, independente da letra estampada.

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5. Devo esperar 2026 para comprar?

Não necessariamente. Muitos fabricantes já se anteciparam e estão vendendo modelos que atendem aos requisitos futuros (geralmente os modelos Inverter A+++ atuais).

Estratégia de Compra Inteligente Agora

Se você precisa comprar uma geladeira hoje, siga estes passos para não adquirir um produto que ficará obsoleto rapidamente:

  • Fuja dos modelos apenas “A” (padrão antigo): Eles provavelmente serão os “C” ou “D” de amanhã e gastam mais energia.
  • Procure especificamente por A+++: Na etiqueta atual, esses são os modelos mais preparados para o futuro.
  • Priorize tecnologia Inverter: Motores Inverter são o padrão da eficiência moderna.

Se o orçamento estiver curto e você optar por um modelo de entrada muito barato hoje, saiba que ele funcionará como um “parcelamento reverso”: você paga menos na loja, mas paga prestações eternas na conta de luz para a concessionária de energia.

A nova etiqueta de 2026 não é apenas burocracia; é um aviso de que a era da energia barata acabou, e sua cozinha precisa ser mais eficiente.

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Não basta ter selo A! Aprenda a manter a eficiência original com dicas de uso e vedação no  Guia Definitivo de Geladeiras: Compra, Manutenção e Soluções.

Este guia é informativo e baseia-se nas especificações técnicas dos fabricantes. Para diagnósticos precisos, consulte sempre um profissional autorizado.

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